Placa bacteriana: quais os riscos para a saúde bucal

Dr. Paulo Nacarato

CROSP 36.130

Entenda o que é a placa bacteriana e por que ela deve ser tratada com atenção, especialmente em suas fases iniciais

Sabe aquela sensação de dentes ásperos ou o sangramento constante na gengiva ao passar o fio dental? Em muitos casos, há uma culpada por trás disso: a placa bacteriana. Ela é a fase inicial para a formação do tártaro na boca e capaz de gerar outros diversos problemas de saúde bucal.

A placa bacteriana se trata de um biofilme formado por bactérias, restos e componentes da saliva que se adere à superfície dos dentes e da gengiva. Se não for removida adequadamente pela higiene diária, essa película incolor e pegajosa vai se mineralizando em uma ação natural causada pela própria saliva no processo que forma o tártaro.

Se isso acontecer, a higiene bucal tradicional caseira – escovação, fio dental e enxaguante bucal – já não é mais capaz de removê-la. Por isso, o foco da higienização deve ser reduzir a presença deste biofilme dental para evitar o surgimento de cáries e de outros problemas estéticos ou estruturais nos dentes.

O que é placa bacteriana?

Também chamada de biofilme dental, estamos falando de uma comunidade de microrganismos que se acumula na superfície dos dentes e na gengiva. Sua presença integra a dinâmica natural do ambiente da boca, mas pode ser acelerada ou minimizada por uma série de hábitos do cotidiano. Entre os principais fatores relacionados à presença da placa bacteriana, destacam-se:

– Falta de hábitos de higiene bucal: a ausência ou a falha no uso correto da escova e do fio dental permite a proliferação acelerada de micro-organismos;

– Consumo frequente de alimentos açucarados: os microrganismos são capazes de metabolizar açúcares e produzir ácidos que contribuem para a desmineralização do esmalte;

– Saliva insuficiente: a diminuição do fluxo salivar (boca seca) dificulta a capacidade natural do organismo de neutralizar ácidos e de realizar uma limpeza mecânica contínua, o que contribui para a formação da placa bacteriana e, consequentemente, do tártaro;

– Tabagismo: está associado a alterações no ambiente bucal, favorecendo o acúmulo de depósitos de biofilme dentário.

– Uso de aparelhos ortodônticos e contenções: eles criam áreas de difícil acesso, que torna mais complexa a higienização e facilitam a retenção de resíduos alimentares.

Muitos desses fatores são comportamentais, mas há também aspectos sistêmicos e alterações hormonais que contribuem com o acúmulo da placa bacteriana ou mesmo da suscetibilidade de sua presença.

O fato é que, além do tártaro, o biofilme dental também favorece a formação de cáries e de condições mais graves, como os problemas periodontais e as gengivites, que podem levar à perda dental nos casos mais graves.

Como remover a placa bacteriana?

O combate contra a placa bacteriana exige uma estratégia combinada em dois momentos complementares: a rotina diária em casa e o checkup odontológico periódico.

Em primeiro lugar, o cuidado de higiene bucal é a principal linha de defesa. Isso inclui escovar os dentes ao menos duas vezes ao dia, preferencialmente com o uso do fio dental para alcançar as áreas mais afastadas. Se houver recomendação do dentista, agregue o enxaguante bucal em ao menos uma das higienizações – em especial na noturna, quando há um período mais longo sem escovação.

O segundo ponto envolve o agendamento de visitas periódicas ao consultório odontológico. Quando o biofilme permanece acumulado e se mineraliza, forma-se o tártaro. Nesse estágio, a remoção exige instrumentos odontológicos e técnicas, como o protocolo GBT, para eliminar o acúmulo em áreas de difícil acesso, já que a escovação e o fio dental não conseguem retirar este cálculo endurecido.

Esta soma de cuidados garante a preservação a longo prazo dos dentes e tecidos gengivais.

Placa bacteriana pode ser removida em casa?

A placa bacteriana pode ser removida diariamente por meio de uma higiene bucal adequada, principalmente com escovação e limpeza entre os dentes. Já o tártaro, que é o biofilme mineralizado, não deve ser removido em casa e normalmente exige atendimento odontológico.

Placa bacteriana vira tártaro?

Quando a placa bacteriana permanece acumulada sobre os dentes, ela pode sofrer mineralização pela ação dos minerais presentes na saliva e formar o tártaro, também chamado de cálculo dental. Diferentemente da placa bacteriana, o tártaro não é removido adequadamente pela escovação doméstica e precisa ser tratado por um profissional.

Como saber se há acúmulo de placa bacteriana?

Se a escovação de rotina não resolve todos os problemas, ela assegura que o acúmulo excessivo de placa bacteriana não se torne mais grave. Alguns sinais são alertas para agendar uma consulta de rotina:

Sensação de dentes ásperos: ao passar a língua sobre os dentes, percebe-se uma textura irregular ou uma película viscosa;

– Sangramento na gengiva: se espontâneos ou ao escovar e usar o fio dental, eles merecem uma avaliação odontológica profissional.

– Inflamação na gengiva: gengivas vermelhas, inchadas ou sensíveis ao toque;

Mau hálito persistente: hálito desagradável contínuo costuma ser reflexo do acúmulo de bactérias.

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(Imagem: Magnific)