Exames de imagem devem ser feitos pelo menos uma vez ao ano para controle e diagnóstico
Quantas vezes você fez uma radiografia panorâmica dos dentes na vida? Uma? Duas, no máximo?
Poucos pacientes diriam que realizam o exame anualmente, mesmo sendo essa a resposta desejada pelos profissionais e ideal para a saúde bucal. A tecnologia evoluiu muito nos últimos anos, tornando o exame ainda mais rápido e preciso do que era antes.
A radiografia panorâmica, também chamada de ortopantomografia, possibilita a captura da imagem dos arcos dentários com apenas uma incidência de raios-x, permitindo a visualização da maxila, mandíbula, dentes, estrutura nasal, seios nasais e articulação temporomandibular (ATM).
Em uma única imagem, o dentista consegue ter um panorama completo da saúde bucal do paciente.
Normalmente, a radiografia panorâmica é solicitada pelo profissional nos check-ups de rotina (limpezas periódicas), antes de realizar um tratamento ou quando há uma queixa do paciente.
“Esse tipo de diagnóstico complementa o exame clínico e possibilita visualizar toda a estrutura dentária, seja para uma simples cárie ou para procedimentos complexos, como problemas ósseos”, explica Paulo Nacarato, dentista em São Paulo com consultório no Jardins, bairro nobre da capital.
Indicações da radiografia panorâmica
As principais indicações da radiografia panorâmica são:
- Avaliação geral da dentição;
- Avaliação de terceiros molares (sisos);
- Análise de patologias dentárias e/ou ósseas extensas;
- Avaliação geral dos componentes ósseos da articulação temporomandibular;
- Avaliação da posição de dentes impactados.
O exame também é amplamente utilizado no planejamento ortodôntico e na análise do crescimento e desenvolvimento dental em crianças e adolescentes.
A técnica também é especialmente recomendada para pacientes que não toleram a radiográfica intrabucal, sendo uma alternativa mais confortável e igualmente eficaz.
A evolução tecnológica do exame
A modernidade transformou a radiografia panorâmica.
Com inovações como sensores digitais, inteligência artificial e integração com sistemas de telemedicina, esse exame está cada vez mais eficiente e sustentável.
Os aparelhos de última geração emitem uma quantidade de radiação significativamente menor do que os equipamentos mais antigos, afastando de vez o receio que muitos pacientes ainda têm em relação à segurança do exame.
Um dos avanços mais promissores da área é a aplicação da inteligência artificial (IA) na análise das imagens. Estudos recentes apontam que o uso de inteligência artificial em radiografias panorâmicas melhora a detecção de anomalias dentárias e reduz o tempo de diagnóstico.
Algoritmos avançados conseguem identificar padrões que poderiam passar despercebidos em uma análise manual, tornando o diagnóstico mais rápido e preciso. As evidências científicas reforçam que a inteligência artificial não substitui o profissional, mas o torna mais eficiente — um verdadeiro aliado tecnológico no consultório.
Uma das únicas ressalvas ao exame envolve as gestantes. Mesmo com o baixo risco, mulheres grávidas devem comunicar ao dentista antes de realizarem qualquer tipo de radiografia, para que o profissional confirme a necessidade e tome as precauções adequadas.
Riscos de não realizar o exame
A radiografia panorâmica auxilia em diagnósticos e previne futuros problemas. Não realizar o exame pode resultar em diagnósticos incompletos ou tratamentos mais prolongados devido à dificuldade de planejamento.
Lesões ósseas, cistos, tumores e dentes impactados são condições que frequentemente não apresentam sintomas evidentes e só são identificadas por meio de imagem.
“O exame é essencial antes de qualquer procedimento, para complementar a avaliação clínica realizada em consultório e confirmar os diagnósticos”, complementa Nacarato, que realiza procedimentos odontológicos há mais de 30 anos.
Além da radiografia panorâmica, outros exames podem ser solicitados pelo profissional dependendo do caso. A tomografia computadorizada, por exemplo, não deve ser adotada como exame de rotina — é preciso ter uma justificativa clínica para incluí-la, como nos casos nos quais as imagens em 2D não são suficientes para um diagnóstico completo ou quando há necessidade de avaliar riscos de procedimentos mais complexos.
Por quanto tempo guardar o exame?
Em muitos casos, as clínicas questionam o paciente se ele prefere retirar os exames ou se podem ser encaminhados diretamente ao profissional. Independentemente da escolha, é fundamental que o paciente guarde esses documentos após a conclusão do tratamento.
Manter o histórico de exames odontológicos permite que o profissional saiba quais tratamentos foram realizados e a situação antes e depois de cada intervenção. Esse registro possibilita uma análise mais completa do caso, com identificação de situações de risco e necessidade de cuidados adicionais.
“Nem sempre o paciente sabe explicar quais procedimentos foram feitos e quais as razões por trás disso. Nós sempre procuramos nos informar, e os exames anteriores auxiliam bastante neste aspecto”, explica Nacarato.
Em geral, a recomendação é que exames e documentos odontológicos sejam guardados por pelo menos cinco anos. Para procedimentos mais complexos, como implantes dentários, o ideal é que sejam mantidos por um período ainda maior — de preferência, indefinidamente.
Com a digitalização crescente dos consultórios, muitas clínicas já armazenam esses registros em sistemas eletrônicos, facilitando o acesso tanto para o paciente quanto para o profissional ao longo do tempo.
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