Uma ferida que não passa ou uma mancha que aparece do nada são sinais pequenos que podem esconder uma grande doença que pode ser evitável
Quando o assunto envolve saúde bucal, é normal se pensar em cáries, gengiva sangrando ou dente torto. Mas existe uma condição muito mais séria que costuma passar despercebida: o câncer bucal.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 17.190 novos casos para cada ano do triênio 26/28, com uma taxa de mortalidade de mais de 7 mil pessoas. É o oitavo tipo de câncer mais frequente no país e o quinto mais comum entre os homens.
Os números são expressivos e poderiam ser menores com mais informação e prevenção.
O que é o câncer bucal?
O câncer bucal é um tumor maligno que se desenvolve nas estruturas da cavidade oral: língua, lábios, gengivas, bochechas, céu da boca e abaixo da língua. Em alguns casos, também pode afetar a orofaringe, a parte da garganta logo atrás da boca.
O tipo mais comum é o carcinoma espinocelular (ou carcinoma de células escamosas), responsável por mais de 90% de todos os casos da doença. Ele costuma se manifestar de forma silenciosa no início, o que torna o diagnóstico precoce um verdadeiro desafio.
Quando detectado nos estágios iniciais, o câncer bucal pode ter taxa de cura acima de 90%. O problema é que cerca de 70% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágios avançados, quando o tratamento se torna mais invasivo, complexo e com menor probabilidade de sucesso.
Quais são os fatores de risco?
O câncer bucal tem origem multifatorial, ou seja, é resultado de uma combinação de fatores. Conhecê-los é o primeiro passo para se proteger.
Tabagismo e álcool em excesso
O tabaco é o principal vilão.
Estudos apontam que mais de 90% dos pacientes diagnosticados com carcinoma de células escamosas na boca eram fumantes crônicos. E o risco aumenta ainda mais quando o cigarro é combinado com o consumo de bebidas destiladas. A combinação dos dois fatores é considerada a principal causa do câncer bucal no Brasil.
HPV (Papilomavírus Humano)
Um dado que preocupa cada vez mais os especialistas: nos últimos anos, o HPV tem sido identificado como fator de risco crescente, especialmente entre adultos jovens. Os subtipos do vírus responsáveis por cânceres na região genital também podem se manifestar na cavidade oral, transmitidos principalmente pelo sexo oral sem proteção.
Exposição solar
A exposição crônica ao sol sem uso de protetor labial aumenta o risco de câncer nos lábios, especialmente em trabalhadores ao ar livre.
Fatores genéticos e alimentação
Histórico familiar, dieta pobre em frutas e vegetais e deficiências de micronutrientes também entram na lista de fatores predisponentes.
Como identificar: os sinais de alerta
O câncer bucal é chamado de silencioso, porque, nos estágios iniciais, não causa dor. Por isso, é essencial conhecer os sintomas e procurar um dentista ao menor sinal de alteração:
- Feridas ou úlceras na boca que não cicatrizam em até 14 dias;
- Manchas brancas ou vermelhas na mucosa oral;
- Nódulos, caroços ou espessamentos nos lábios, língua, bochechas ou gengivas;
- Sangramento espontâneo, sem causa aparente;
- Rouquidão persistente ou dificuldade para engolir, falar ou movimentar a língua;
- Mudança na coloração da boca ou dos lábios.
O papel do dentista no diagnóstico precoce
O cirurgião-dentista é o profissional mais capacitado para identificar sinais precoces do câncer bucal durante o check-up periódico. Em cada consulta, ele não apenas avalia os dentes e gengivas, mas também inspeciona toda a mucosa oral, lábios, língua e região do pescoço.
Por isso, manter as consultas em dia é uma das formas mais eficazes de prevenção. A recomendação geral é de visitas a cada seis meses, mas a frequência pode variar conforme o histórico clínico de cada paciente.
Quando necessário, o dentista realiza ou solicita biópsia e encaminha para especialistas, pois a relação da saúde bucal e geral deve ser sempre considerada.
Como prevenir o câncer bucal
Grande parte dos casos de câncer de boca pode ser evitado com mudanças de hábito e cuidados simples, como não fumar e reduzir o consumo de álcool; usar protetor solar nos lábios; manter uma alimentação rica em frutas e nutrientes; usar preservativos orais e consultar o dentista periodicamente, além, é claro, da boa higienização bucal.
Qual o tratamento para câncer de boca?
O tratamento varia conforme o estágio e a localização do tumor e precisa ser avaliado individualmente.
Em geral, envolve cirurgia, seguida de radioterapia ou quimioterapia. Quando o paciente já está em tratamento oncológico, a laserterapia pode ser aliada importante: ela auxilia na prevenção e no tratamento da mucosite oral — inflamação na mucosa causada pelos efeitos colaterais da quimio e radioterapia —, reduzindo a intensidade da lesão e acelerando a cicatrização.
Quanto mais precoce o diagnóstico, menos invasivo e mais eficaz é o tratamento.
A boca é a porta de entrada do organismo. Cuidar dela é um ato de saúde, prevenção e qualidade de vida. Não deixe o medo ou a falta de informação falar mais alto. Agende a sua consulta e mantenha seu check-up em dia.

