Dores na face, dificuldade para mastigar e desconforto na região cervical podem estar associados às disfunções temporomandibulares; saiba o que é ATM, os sintomas da DTM e como tratar
Dores de cabeça, no pescoço e na região da mandíbula têm diferentes causas, e uma delas é as disfunções temporomandibulares (DTMs). Essas condições afetam a articulação responsável pelos movimentos da mandíbula e os músculos envolvidos na mastigação, comprometendo atividades cotidianas, como comer, falar e bocejar.
Embora nem toda dor nessas regiões esteja relacionada à saúde bucal, investigar a possibilidade de DTM é importante quando os sintomas são persistentes ou aparecem acompanhados de desconforto ao movimentar a boca.
ATM e DTM: qual é a diferença?
A articulação temporomandibular (ATM) se localiza à frente dos ouvidos (uma de cada lado da cabeça) e conecta a mandíbula ao crânio. Ela permite abrir e fechar a boca e realizar os movimentos necessários para mastigar e falar.
Já a disfunção temporomandibular (DTM) é o nome dado a um conjunto de condições que afetam a ATM, os músculos da mastigação e os tecidos associados. Suas causas podem envolver lesões, sobrecarga muscular, fatores genéticos e aspectos emocionais, como o estresse. Em muitos casos, não existe uma causa única identificada.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor na mandíbula, na face ou nos músculos da mastigação;
- Dor de cabeça e desconforto na região do pescoço;
- Dificuldade ou limitação para abrir a boca;
- Sensação de mandíbula travada;
- Dor durante a mastigação ou ao falar;
- Estalos acompanhados de dor ou outros incômodos na articulação;
- Sensação de ouvido tampado, zumbido ou dor na região dos ouvidos.
É importante lembrar que estalos na mandíbula sem dor ou limitação de movimento são relativamente comuns e, isoladamente, não indicam necessariamente a presença de uma disfunção.
Qual é a incidência das DTMs?
As disfunções temporomandibulares estão entre as causas mais frequentes de dor na região da mandíbula. De acordo com o Conselho Federal de Odontologia, mais de 30% da população brasileira sofre com DTM e dor orofacial.
Essas condições são mais frequentes em mulheres e costumam ser identificadas principalmente entre adultos jovens e de meia-idade. Ainda assim, podem ocorrer em diferentes faixas etárias.
Como os sintomas se assemelham a outros problemas de saúde, não é possível confirmar uma DTM apenas pela presença de dor de cabeça, estalos ou desconforto cervical. O diagnóstico depende da avaliação clínica e, quando necessário, de exames complementares.
Qual a relação entre DTM, dores de cabeça e problemas posturais?
As DTMs costumam estar associadas a dores de cabeça, inclusive em pessoas que também apresentam enxaqueca, e a sintomas musculares da região cervical. A tensão nos músculos da mastigação pode irradiar para a face e o pescoço, causando desconforto.
Entretanto, isso não significa que um problema na mandíbula seja necessariamente a causa de dores nas costas ou de alterações posturais. Essas condições coexistem e precisam ser avaliadas individualmente.
O estresse e o hábito de apertar os dentes, por exemplo, contribuem para a sobrecarga muscular e agravam os sintomas em algumas pessoas. Por isso, a avaliação deve considerar os hábitos cotidianos, o histórico de dor, a qualidade do sono e outros fatores que influenciam o quadro.
A anamnese é fundamental para orientar o diagnóstico. Informações sobre a frequência das dores, os momentos em que aparecem e os movimentos que provocam desconforto ajudam a identificar possíveis causas.
Como é feito o tratamento para DTM?
O tratamento depende do tipo de disfunção, da intensidade dos sintomas e dos fatores envolvidos. Em muitos casos, a abordagem inicial é conservadora, com medidas simples que ajudam a controlar a dor e a melhorar os movimentos da mandíbula.
Entre as possibilidades, estão:
- Mudanças de hábitos: evitar apertar os dentes, mascar chicletes com frequência ou forçar a abertura da boca;
- Cuidados em casa: utilizar compressas mornas ou frias e, durante períodos de dor, preferir alimentos mais macios;
- Placas de mordida: em situações específicas, podem ser indicadas para proteger os dentes e auxiliar no controle de hábitos como o apertamento;
- Medicamentos: podem ser recomendados por um profissional conforme a necessidade clínica.
A acupuntura, a quiropraxia, a fisioterapia e outras abordagens complementares também são consideradas em alguns casos, de acordo com a avaliação profissional.
A cirurgia é reservada a situações específicas, geralmente se houver alteração estrutural ou quando outras medidas não apresentaram resultados satisfatórios. Tratamentos que alteram permanentemente a mordida ou a posição dos dentes não devem ser realizados como solução automática para a DTM.
Se você apresenta dores recorrentes na mandíbula, dificuldade para mastigar ou desconforto persistente na face e no pescoço, procure uma avaliação. Identificar a origem dos sintomas é o primeiro passo para definir o tratamento adequado.
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