Gravidez e saúde bucal: por que as gestantes precisam de atenção redobrada?

Dr. Paulo Nacarato

CROSP 36.130

Doenças periodontais podem elevar o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer; muitas mães desconhecem a relação, por isso, o alerta

Mês das mães está chegando e é fundamental falar sobre um tema que ainda recebe menos atenção do que merece: a saúde bucal durante a gestação. Cuidar dos dentes e das gengivas na gravidez é uma medida de proteção tanto para a mãe quanto para o bebê. A negligência nesse período pode trazer consequências sérias, incluindo partos prematuros e bebês abaixo peso ao nascer.

“Os médicos nem sempre abordam os cuidados com a saúde bucal durante o pré-natal, o que é um erro grave. Infecções bucais não tratadas podem se disseminar pela corrente sanguínea e, em casos mais severos, desencadear o trabalho de parto antes do tempo”, alerta Paulo Nacarato, dentista com mais de 30 anos de experiência em São Paulo.

Por que a gravidez altera a saúde bucal?

Durante a gestação, o organismo feminino passa por profundas transformações hormonais, especialmente pelo aumento dos níveis de estrogênio e progesterona.

Essas mudanças afetam os tecidos gengivais, tornando-os mais inflamados, sensíveis e suscetíveis à ação bacteriana. A produção de saliva também pode ser alterada, reduzindo um dos principais mecanismos naturais de defesa da boca.

Somado a isso, sintomas comuns da gravidez, como enjoos matinais e refluxo ácido, expõem os dentes a um ambiente mais ácido, favorecendo o surgimento de cáries. Muitas gestantes, por conta do desconforto, acabam escovando os dentes com menos frequência, o que agrava ainda mais a situação.

Estudos publicados em periódicos científicos internacionais, incluindo o Journal of Clinical Periodontology, confirmam a associação entre doença periodontal e complicações obstétricas.

As bactérias presentes em infecções gengivais podem atingir a circulação sistêmica e estimular a liberação de mediadores inflamatórios — como prostaglandinas e citocinas — que são capazes de induzir contrações uterinas prematuras.

A gengivite da gestante: comum, mas não inevitável

A chamada “gengivite gravídica” é uma das condições mais frequentes entre gestantes, podendo afetar entre 60% e 75% das mulheres nesse período, segundo dados da literatura odontológica. Ela se manifesta principalmente com sangramento ao escovar, gengivas avermelhadas e inchadas e sensibilidade aumentada.

“A gengivite da gestante é muito comum nos consultórios, mas pode ser prevenida ou controlada com higiene rigorosa e acompanhamento profissional. O problema é quando ela evolui para uma periodontite — inflamação que atinge estruturas mais profundas de suporte do dente —, pois os riscos para a gestação aumentam consideravelmente”, explica Nacarato.

Sintomas que merecem atenção imediata

  • Sangramento gengival ao escovar ou usar fio dental
  • Dor ou sensibilidade nas gengivas
  • Mobilidade dentária
  • Mau hálito persistente
  • Gengivas retraídas ou com aparência alterada

Qualquer um desses sinais deve ser comunicado ao dentista sem demora. A intervenção precoce faz toda a diferença no prognóstico.

Como se proteger durante a gestação

A boa notícia é que, com cuidados simples e acompanhamento adequado, é possível manter a saúde bucal em dia ao longo de toda a gravidez. As principais recomendações incluem:

  • Escovação cuidadosa após as refeições, de preferência com escova de cerdas macias, para não agredir gengivas já sensíveis;
  • Uso diário de fio dental, essencial para remover a placa bacteriana entre os dentes;
  • Hidratação constante. Beber água ao longo do dia combate a boca seca e reduz a proliferação bacteriana;
  • Check-up odontológico periódico, idealmente a cada trimestre, ou conforme orientação do profissional;
  • Informar ao dentista sobre a gestação e medicações em uso, para que qualquer procedimento seja adaptado com segurança.

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, ir ao dentista durante a gravidez é seguro e necessário. Procedimentos de rotina, como limpeza e restaurações, podem ser realizados com tranquilidade, especialmente no segundo trimestre.

“O perigo não está em tratar, mas sim em deixar uma infecção evoluir sem cuidado”, reforça Nacarato.

Pré-natal odontológico: um direito das gestantes

No Brasil, o pré-natal odontológico é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra as diretrizes do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica.

O objetivo é justamente garantir que as gestantes recebam orientação e tratamento odontológico adequados ao longo da gravidez, reduzindo riscos para mãe e bebê.

O acompanhamento se estende ao período pós-parto, com orientações sobre a higienização da boca do recém-nascido ainda antes da erupção dos primeiros dentes, uma etapa crucial para a saúde bucal da criança a longo prazo.

“Cuidar da boca na gravidez significa dar atenção ao bebê também. São meses que fazem diferença para uma vida inteira”, conclui o dentista.

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